O país nunca teve tantas empresas em recuperação judicial. Segundo o Monitor RGF-BizDoc, o Brasil chegou ao segundo trimestre de 2026 com 6.341 companhias em reestruturação sob supervisão da Justiça, sem contar as microempresas. No início de 2023, eram 4.014.
A alta atinge empresas de todos os portes. Entre micro e pequenas, o total em recuperação chegou a 2.821 em junho. No outro extremo, 12 grandes companhias pediram recuperação judicial ou extrajudicial em 2026, metade delas do varejo.
O pano de fundo é o crédito caro por um período prolongado, com a Selic ainda na casa dos 14% ao ano, e a inadimplência em patamar recorde: em julho, 9,2 milhões de empresas estavam negativadas, segundo a Serasa Experian. No agronegócio, o avanço é o mais acelerado entre os setores, com 1.263 empresas em recuperação ao fim de junho. Mato Grosso liderou o ranking estadual de pedidos no primeiro trimestre.
Para Antônio Frange Júnior, o problema é estrutural: são empresas que vendem, têm clientes e empregam, mas cujo faturamento deixou de cobrir o custo da dívida. Na avaliação do advogado, a demora em buscar a reestruturação é o fator que mais reduz as alternativas. “Recuperação judicial não é derrota”, resume. O instrumento, explica, serve para preservar a atividade, os empregos e o pagamento aos credores, desde que usado a tempo e com um plano compatível com a realidade da empresa.
Fonte: Compre Rural, 18 de setembro de 2026 (artigo assinado pelo Frange Advogados). Leia a matéria completa no site do veículo.


