Endividamento pressiona o campo e produtores buscam a recuperação judicial como saída

O campo brasileiro segue sob forte pressão financeira. Segundo a Serasa Experian, o agronegócio registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026 e outros 448 entre abril e junho. Levantamento do Empresômetro, ligado ao IBPT, mostra que o número de empresas do agro em recuperação passou de 875 para 1.039 entre 2023 e 2025.

Os pedidos se concentram nos principais polos produtores: Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Paraná respondem pela maior parte das solicitações. A própria Serasa ressalta que eventuais oscilações entre trimestres estão ligadas a fatores sazonais, como a entrada de receitas da colheita, e não indicam melhora na situação financeira do setor.

Para Guilherme Costa Frange, advogado do escritório Frange Advogados, a colheita traz apenas um alívio momentâneo para quem carrega dívidas caras de várias safras, já que o produtor continua pagando juros altos para financiar a lavoura seguinte.

A soja concentrou o maior número de pedidos no segundo trimestre, seguida da criação de bovinos. Os produtores pessoa física lideram as solicitações, incluindo arrendatários e integrantes de grupos familiares.

Segundo o advogado, buscar orientação cedo, antes de perder maquinário ou comprometer a safra, fortalece a posição do produtor na negociação. “Esperar demais é o erro mais caro”, resume. Rolar dívidas com frequência, usar crédito novo para pagar parcelas antigas, sofrer bloqueio de contas ou ver garantias ameaçadas são sinais de que é hora de avaliar o caminho jurídico.

Fonte: Compre Rural, 28 de outubro de 2026. Leia a matéria completa no site do veículo.