A Casas Bahia protocolou, em 16 de agosto, um pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões, um dos maiores da história do varejo brasileiro. Um dia antes, a Marabraz havia feito pedido semelhante, de R$ 140,2 milhões. Em maio, a Tok&Stok já tinha seguido o mesmo caminho.
Os casos refletem um movimento mais amplo. Segundo a Serasa Experian, o país somava 7.726 empresas em recuperação judicial até junho. Só no varejo, foram 986 companhias no primeiro semestre.
O principal fator de pressão é o custo do crédito. A Selic começou 2026 em 15% ao ano e recuou de forma gradual, mas empresas que acumularam dívidas desde o ciclo de juros altos passaram a gastar mais para rolar seus compromissos. Do outro lado do balcão, o endividamento recorde das famílias, apontado pela CNC, reduz o consumo justamente no público das grandes redes de móveis e eletrodomésticos.
Nesse cenário, a recuperação judicial garante à empresa 180 dias de suspensão de cobranças e execuções para negociar com os credores de forma organizada. No caso da Casas Bahia, o processo envolve mais de 19 mil credores.
“A recuperação judicial mudou de significado”, afirma o advogado Antônio Frange Júnior. Para ele, o instrumento passou a ser uma decisão estratégica de reorganização, e o planejamento é o que diferencia um processo bem conduzido: quanto antes a empresa desenha a estratégia, maiores as chances de preservar a operação, os empregos e a relação com fornecedores.
Fonte: Portal UAI (release distribuído pela Dino), 1º de setembro de 2026. Leia a matéria completa no site do veículo.


